Cova do Vapor

2011 -

As comunidades urbanas informais e desfavorecidas não são apenas um problema dos países em desenvolvimento. Apenas a 10 Km da capital Lusitana encontra-se a Cova do Vapor: uma pequeníssima aldeia piscatória com cerca de 350 casas, num terreno de 40.000 m². Totalmente construída e gerida pelos próprios habitantes, nunca recebeu apoio municipal. O crescente aumento populacional na região de Lisboa e o aumento de interesse turístico pela costa Oeste de Portugal representa uma ameaça à antiga aldeia. O terreno tem sido muito cobiçado, surgindo propostas de desenvolvimento para criação de campos de golfe e hotéis que ameaçam a comunidade.

Os habitantes da Cova do Vapor vivem na sua aldeia há mais de três décadas. Neste sentido a un.se e a TISA – The Informal School of Architecture – estabeleceram uma parceria com a comunidade para acelerar o processo de legalização e para travar as ameaças de despejo.

Formámos uma equipa de projeto com 75 pessoas de diferentes áreas de especialização, incluindo Urbanismo, Direito, Arquitetura, Gestão de Eventos, Design Gráfico, Engenharia Civil e Fotografia. Durante três meses, estivemos todos os dias no terreno, a ouvir a população local para compreender as oportunidades e desafios que a comunidade enfrentava.

Um dos legados de gerações sem reconhecimento municipal é uma cultura de desconfiança, tanto em relação às autoridades como, até certo ponto, entre os próprios membros da comunidade. A nossa primeira tarefa foi reconstruir o sentido de pertença e identidade local, que alcançámos através do mapeamento da aldeia como uma unidade. Trabalhámos com os habitantes para medir uma casa de cada vez, e em seguida criámos uma maquete à escala 1:50 que foi exposta na aldeia. O evento gerou um verdadeiro espírito de solidariedade entre os moradores e inspirou o maior festival da aldeia em décadas: uma celebração da comunidade renascida.

O projeto atraiu atenção mediática significativa e trouxe reconhecimento e apoio internacional à continuidade da Cova do Vapor. O processo completo de legalização continua em curso.

Ler o artigo no Público (português)

Créditos:
Proprietário e promotor do projeto: un.se com a TISA The Informal School of Architecture
Focalizadores: Filipe Balestra, Sara Göransson, Francisco Mota, João Albuquerque, Diogo Santos, Martinho Pita
Colaboradores: Ana Patrícia Duarte Rosado, César Alexandre Fernandes Anacleto, João Diogo Lamelas Marinho Alves, João Filipe Porfírio Cláudio, João Pedro Rodrigues Vasconcelos, Gustavo Borlido Vieira, Bruno Liliano, Marco Antunes, Rivone da Silva, Dafne Espírito Santo Teixeira, Filipe Rafael dos Santos Oliveira, Maria da Silva Miranda, Samuel Filipe Marques Santos, Soraia Sofia Gomes Ferreira, Ana Laura Terruta Marques de Moura, Joana Rita Reais de Almeida, João Alexandre Martins Bidarra, Mohamed Kalilo Omais, Pedro João Frade Oliveira, Alexandra Marisa Mendes Parente, Ana Cristina Esteves Álvarez, Ana Beatriz Matos Pereira, Diogo Rafael Barão Alves Ventura, Hugo Mário Abreu Salvado, Joana Raquel de Almeida Mota, Sara Patrícia Brites Martins, Tiago André de Aparício Simões, Rafael Patrocínio, Ana Mendes, Hugo Fontes, Khrystyna Kotsyuban, Miguel Horta, Alexandre Valente, Ana Pinhão, André Rodrigues, Ivan Claro, João Faial, Miguel Caramelo, Paulo Machado, Ruben Diniz, André Rodrigues, Ivan Claro, Paulo Marques, Pedro Melo, Nuno Graça, Dulcelina Moreno, Eduardo Teixeira, Jacinta Moreira, Frederico Amaro, Gizela Santos, Ricardo Lopes, João Antunes

Foto aérea por Francisco Nogueira