Estratégia de Habitação Incremental
Em 2007, fomos convidados por Jockin Arputham, Presidente da Slum Dwellers International, para irmos até à Índia desenvolver novas soluções de habitação para as populações urbanas mais carenciadas. O Jockin tinha ficado profundamente impressionado com o nosso trabalho de construção de uma escola e centro social na favela da Rocinha, no Brasil, com a participação da comunidade local. O projeto-piloto teve lugar em Yerawada, na cidade de Pune.
Durante sete meses, passámos todos os dias em Yerawada, a conviver com as pessoas, a partilhar refeições, chai e a conhecer profundamente as suas vidas. Descobrimos que, embora Yerawada seja um bairro muito pobre, tem um forte sentido de comunidade, e os seus habitantes não queriam mudar-se para blocos de habitação social, muito menos perder as suas casas.
A nossa solução passou por criar uma estratégia de melhoria incremental, focando-nos nas habitações em pior estado. Em vez de demolir e reconstruir, preferimos permitir que os bairros fossem melhorando de forma incremental, sem desmantelar as comunidades — regularizando-as como partes formais da cidade.
Nesse sentido desenvolvemos três protótipos básicos de habitação, todos com uma área de cerca de 25 m² em diferentes configurações. As famílias puderam escolher o modelo que melhor se adequava às suas necessidades e toda a comunidade foi convidada a participar no processo de construção e personalização de suas casas.
Este tecido urbano orgânico — construido pelos próprios locais a longo prazo, pode ser muito mais interessante do que o tecido urbano de bairros excessivamente planeados — tende também a ser mais comunitário. As ruas estreitas, a proximidade entre vizinhos e os espaços partilhados fazem com que os habitantes de Yerawada sejam muito menos propensos a sentir solidão ou isolamento comparativamente aos países mais ricos, nomeadamente a Suécia.
1000 casas foram construídas no projeto piloto e 5000 casas foram construídas no total. Embora a nossa estratégia de urbanismo tenha sido seguida a 100%, as casas foram totalmente construídas pelos próprios locais à sua maneira. Nas palavras de Savita Sonawane – ”it’s slum dweller design”.
Credits: Filipe Balestra, Sara Göransson com Guilherme de Bivar, Martinho Pitta, Rafael Balestra, Remy Turquin, Carolina Cantante
Manifestamos a nossa gratidão a:
Jockin Arputham e sua network: Sheela Patel, Jon Rainbow, Maria Lobo, Katia Savchuk da Organização Não-Governamental SPARC, e Savita Sonawane, Jyoti Bhende, Gulshan Shaikh, Lata Ghodke, Jyoti Dalvi, Dhananjay Sadlapure, Nermada Vetale, Sheela Tambe, Manda Hadwale, Padma Gore, Chaya Gaikwad e Shobha Adhav da Organização Comunitária Local Mahila Milan, e também a Praveen Pardeshi e Avinash Salve da Pune Municipal Corporation (PMC), Sharad Mahajan da Organização Não-Governamental MASHAL e à comunidade fantástica de Yerawada e de Netaji Nagar.