Sambarchitecture

2006 – 2007

Em 2006, construímos uma escola na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Foi um projeto pequeno, mas acabou por se tornar, no nosso pensamento, um projeto para ser alargado à escala e às necessidades educativas do Brasil. Na prática, envolveu a reabilitação de uma casa antiga para criar uma escola de três andares, destinada a crianças e a adultos em programas de alfabetização. A forma como trabalhamos o projeto e a solução que criámos semeou as bases de um processo que ainda hoje utilizamos.

Quando chegámos à Rocinha, entrámos num mundo diferente. Densamente populacional caótica, perigosa, mas ao mesmo tempo acolhedor. Os nossos parceiros passaram três dias a apresentar-nos às figuras-chave da comunidade que foram partilhando os seus sonhos para a escola. “Certifiquem-se de que haja espaço para aulas de dança”, disse uma destas pessoas. “Quero ensinar a fazer bolos”, disse outra. “Queremos que as crianças possam sonhar”, disse uma terceira…

Quando visitámos o terreno, a nossa solução já estava clara: deixaríamos o edifício o mais aberto possível, para permitir uma grande variedade de atividades. O nosso projeto também incluiu uma sala de pé-direito duplo com seis janelas, para transmitir uma sensação de amplitude e possibilidades – algo raro de se experienciar numa favela tão densamente povoada.

O nosso orçamento era muito limitado, por isso reforçámos a estrutura do edifício e reabilitámos em vez de o demolir para construir algo novo. Foi mais simples, económico e, no fim, mais respeitoso – esta casa já tinha história e um lugar no coração da comunidade.

São estas experiências que temos colhido ao longo da nossa caminhada – envolver a comunidade local, respeitar as suas histórias e aproveitar as possibilidades existentes – levando connosco para os projetos seguintes.